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Emagrecimento sem uma boa avaliação metabólica: um desafio para o sucesso duradouro

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Existe uma verdade que quase ninguém conta: o emagrecimento sem uma boa avaliação metabólica é, quase sempre, um desafio para o sucesso duradouro. “Doutor, eu já fiz de tudo. A mesma dieta que secou a minha amiga, em mim não fez nada.” Ouço alguma versão dessa frase quase toda semana, quase sempre dita por alguém cansado de tentar e convencido de que o problema é falta de força de vontade. Na imensa maioria das vezes, não é.

Para entender por que a mesma dieta não funciona para todos, é preciso largar uma ideia antiga. O emagrecimento foi reduzido, no senso comum, a uma conta de padaria: comer menos calorias do que se gasta. A conta não está errada, mas está incompleta, porque trata o corpo como uma calculadora, quando ele é, na verdade, um sistema que reage a tudo o que você faz. Duas pessoas podem comer exatamente a mesma quantidade de calorias e emagrecer de formas completamente diferentes.

Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).

Por que o corpo trava no meio de uma dieta

Vale entender o que acontece quando você corta calorias de forma agressiva. O organismo não sabe que existe um objetivo estético do outro lado. Ele só percebe que está chegando menos energia do que o habitual. E faz o que a biologia ensinou em tempos de escassez: economiza.

Esse é um ponto que considero fundamental e que poucos explicam. Diante de uma restrição muito severa, o corpo tende a reduzir o próprio gasto de energia, ou seja, passa a gastar menos para sobreviver com menos. É por isso que tanta gente emagrece nas primeiras semanas e depois estaciona, mesmo comendo pouquíssimo. E também por isso o peso costuma voltar com força quando a dieta acaba.

Estudo: a chamada termogênese adaptativa, a queda do gasto energético que acompanha a perda de peso, é um fenômeno bem descrito na literatura e ajuda a explicar por que manter o peso perdido é tão difícil. Rosenbaum & Leibel, International Journal of Obesity (2010)

Esse é o famoso efeito sanfona, e ele tem muito mais de fisiologia do que de fraqueza. O metabolismo, agora mais lento, passa a guardar com facilidade o que antes queimava. Portanto, o problema não é moral. É biológico, e precisa ser lido como tal.

O que decide se o corpo guarda ou queima gordura

Quem dá as ordens nesse processo são os hormônios. A insulina, por exemplo, é o principal hormônio que decide se o corpo guarda ou queima gordura. Toda vez que comemos carboidrato, liberamos insulina, e quando ela vive elevada, como acontece na resistência à insulina, o organismo entra num modo de estocagem quase permanente. Nesse cenário, perder gordura vira uma luta.

Estudo: a ligação entre obesidade e resistência à insulina está no centro da fisiologia do ganho de peso, e mostra por que o mesmo prato pode ter efeitos tão diferentes de uma pessoa para outra. Kahn & Flier, Journal of Clinical Investigation (2000)

A leptina, que deveria avisar ao cérebro que já há reserva suficiente, pode parar de ser ouvida. E os hormônios da tireoide regulam o ritmo em que o corpo inteiro gasta energia. Insulina, tireoide e cortisol formam uma espécie de tríade da energia: quando os três trabalham bem, o emagrecimento acontece com naturalidade; quando um deles está desregulado, ele trava.

Há ainda um detalhe que explica muita coisa: cada pessoa tem um limite próprio de carboidrato que tolera bem, e esse limite é individual. O que para um corpo é uma quantidade tranquila, para outro já é demais e mantém a insulina sempre alta. Por isso a mesma porção no prato pode emagrecer um e empacar o outro. A pessoa não está falhando na dieta. A dieta é que está sendo aplicada sobre um terreno que ninguém investigou.

Por que a avaliação metabólica no emagrecimento muda o jogo

Porque cada metabolismo parte de um ponto diferente. Duas pessoas podem comer exatamente igual e responder de formas opostas, simplesmente porque uma tem a insulina equilibrada e a tireoide funcionando bem, e a outra não. Comparar o seu resultado com o de outra pessoa, nesse cenário, é tão injusto quanto comparar duas viagens ignorando que os carros saíram com tanques diferentes.

É aqui que entra a avaliação metabólica. Em vez de adivinhar, ela investiga: como o seu corpo gasta energia, como lida com a insulina, como andam o seu perfil hormonal e a sua composição corporal de verdade. A partir daí, deixa de fazer sentido perseguir a dieta da moda. Passa a fazer sentido entender o seu próprio metabolismo. Se você quer ver em detalhe o que esse exame olha e por que ele vale a pena, vale a leitura de avaliação metabólica: por que fazer.

Ponto-chave: emagrecer de forma duradoura não é encontrar a dieta certa, é entender o corpo certo: o seu. Quando o esforço não vira resultado, raramente o problema é a disciplina; quase sempre é a falta de uma investigação à altura.

Quando uma ou mais dessas engrenagens está fora de ajuste, nenhuma dieta genérica resolve sozinha. Por isso insisto tanto nesse ponto. O caminho não é tentar de novo, com mais sacrifício. O caminho é entender o que, no seu corpo, está segurando o resultado.

Se você se cansou de tentar no escuro, a avaliação metabólica é o ponto de partida. Em vez de repetir o mesmo roteiro de restrição, você passa a agir sobre a causa.

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Referências

  1. Rosenbaum, M., & Leibel, R. L. (2010). Adaptive thermogenesis in humans. International Journal of Obesity, 34(Suppl 1), S47–S55. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20935667
  2. Kahn, B. B., & Flier, J. S. (2000). Obesity and insulin resistance. The Journal of Clinical Investigation, 106(4), 473–481. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10953022
  3. Müller, M. J. et al. (2016). Changes in energy expenditure with weight gain and weight loss in humans. Current Obesity Reports, 5(4), 413–423. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27739007

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