5 minutos de leitura

Uso de suplementos, mas não vejo diferença: por quê

Por
Uso de suplementos sem resultado — por que repor no escuro não funciona | Instituto Avantgarde

O uso de suplementos cresceu muito nos últimos anos, e junto com ele chegou uma queixa que escuto com frequência: “doutor, tomo um monte de suplemento, religiosamente, há meses, e não sinto absolutamente nada de diferente”. Em geral, essa pessoa não está exagerando nem sendo relaxada. Ela seguiu uma recomendação, foi à farmácia, comprou e tomou direitinho. E, ainda assim, nada.

Quando investigamos o porquê, costuma aparecer sempre o mesmo personagem no fundo da história: a suplementação começou pelo lugar errado. Entender esse ponto muda tudo, porque ele explica por que tanta gente gasta dinheiro e tempo sem sair do lugar. Não é que suplemento “não funcione”. É que ele foi escolhido no escuro.

Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).

Por que o uso de suplementos pode não dar resultado

Esse é o ponto que considero o mais importante de todos, e o menos comentado. Um suplemento só faz diferença quando repõe algo que estava, de fato, em falta. Parece óbvio, mas é onde quase tudo desanda. Se você toma um nutriente que o seu corpo já tinha em quantidade suficiente, não há por que sentir mudança: não havia buraco para preencher. É como reabastecer um tanque que já estava cheio. O combustível extra não leva mais longe, só transborda.

Há uma versão ainda mais comum desse desencontro. A pessoa suplementa uma coisa enquanto a carência real dela é outra, que ninguém investigou. Toma o que estava na moda, ou o que o vizinho recomendou, e o que de fato faltava continua faltando. O resultado é aquele relato: meses de uso, dinheiro gasto e a sensação de não ter saído do lugar.

Há ainda um detalhe que torna isso mais traiçoeiro. Nem tudo o que entra pela boca é aproveitado do mesmo jeito. Boa parte dos minerais o corpo absorve mal, sobretudo depois da fase de crescimento, quando essa capacidade naturalmente diminui. A forma química do nutriente pesa nessa conta, e vale a pena entender, por exemplo, a importância do magnésio e por que a versão certa faz diferença. Recompor uma reserva esgotada por via oral pode ser um processo lento, e quem espera um efeito imediato muitas vezes está diante disso, não de um produto ruim.

Dado: o uso de suplementos entre adultos cresceu de forma expressiva nas últimas décadas, tornando-se um hábito comum na população, o que reforça a importância de suplementar com critério, e não por impulso. Bailey et al., NCHS Data Brief (2011)

Não é só uma questão de marca ou de tempo?

Essas duas explicações existem e valem como pano de fundo. Sim, há diferença de qualidade e de absorção entre produtos, e ela não é pequena. Existem formas melhores e piores de um mesmo nutriente, e o corpo aproveita cada uma de um jeito. Comprar pelo preço mais baixo costuma ser um tiro no pé. Sim, alguns efeitos levam tempo e exigem constância para aparecer.

Mas, na minha experiência, esses fatores quase nunca são a raiz do problema. São detalhes de um plano que, na origem, talvez nem fosse o plano certo para aquela pessoa. Por isso insisto: antes de discutir marca ou paciência, é preciso saber se o alvo estava correto.

Tem ainda a armadilha da expectativa. O mercado vende suplemento como se fosse uma chave que liga um interruptor: tomou hoje, sente amanhã. Não é assim que o corpo trabalha. No melhor uso que existe dele, o suplemento complementa um terreno, e não substitui o entendimento do que acontece nesse terreno. Se a base está desarrumada, o sono é ruim, a alimentação é pobre e o corpo vive inflamado, ele tem muito pouco em que se apoiar.

Ponto-chave: suplemento que dá certo não é o que está na moda, mas o que corresponde a uma falta real, encontrada com investigação.

Qual é, então, a pergunta certa?

A virada de raciocínio é deixar de perguntar “qual suplemento eu deveria tomar?” e passar a perguntar “o que, de fato, está faltando em mim?”. São perguntas muito diferentes. A primeira leva à prateleira da farmácia e a uma aposta. A segunda leva a uma investigação: olhar o seu caso com profundidade, identificar com método o que está realmente em desequilíbrio e, a partir disso, decidir o que faz sentido.

Nada disso é igual para todo mundo, porque absorção, necessidade e individualidade mudam de pessoa para pessoa. Não existe a listinha única que serve para todos. Quando se tenta tratar a si mesmo com a lista do momento, o resultado costuma ser exatamente esse: gasto sem retorno. É essa inversão que transforma a frustração de “tomo e não sinto nada” em algo que finalmente faz sentido, e é esse o trabalho de entender o seu caso por inteiro, antes de qualquer pote, que fazemos no Instituto Avantgarde.

Se você anda no uso de suplementos sem ver retorno, o próximo passo não é trocar de marca, e sim descobrir o que realmente falta no seu corpo.

Agendar minha avaliação

Referências

  1. Bailey, R. L. et al. (2011). Dietary supplement use among U.S. adults has increased since NHANES III (1988–1994). NCHS Data Brief, (61), 1–8. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21592424
  2. Cowan, A. E. et al. (2018). Dietary supplement use differs by socioeconomic and health-related characteristics among U.S. adults, NHANES 2011–2014. Nutrients, 10(8), 1114. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30126136

Leia também

Cadastre-se e receba
nossas publicações

Outras Publicações

Outras Publicações

Não deixe a sua saúde para depois. Para agendar consulta em metabologia, fale com a nossa equipe hoje mesmo.