O uso de suplementos cresceu muito nos últimos anos, e junto com ele chegou uma queixa que escuto com frequência: “doutor, tomo um monte de suplemento, religiosamente, há meses, e não sinto absolutamente nada de diferente”. Em geral, essa pessoa não está exagerando nem sendo relaxada. Ela seguiu uma recomendação, foi à farmácia, comprou e tomou direitinho. E, ainda assim, nada.
Quando investigamos o porquê, costuma aparecer sempre o mesmo personagem no fundo da história: a suplementação começou pelo lugar errado. Entender esse ponto muda tudo, porque ele explica por que tanta gente gasta dinheiro e tempo sem sair do lugar. Não é que suplemento “não funcione”. É que ele foi escolhido no escuro.
Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).
Por que o uso de suplementos pode não dar resultado
Esse é o ponto que considero o mais importante de todos, e o menos comentado. Um suplemento só faz diferença quando repõe algo que estava, de fato, em falta. Parece óbvio, mas é onde quase tudo desanda. Se você toma um nutriente que o seu corpo já tinha em quantidade suficiente, não há por que sentir mudança: não havia buraco para preencher. É como reabastecer um tanque que já estava cheio. O combustível extra não leva mais longe, só transborda.
Há uma versão ainda mais comum desse desencontro. A pessoa suplementa uma coisa enquanto a carência real dela é outra, que ninguém investigou. Toma o que estava na moda, ou o que o vizinho recomendou, e o que de fato faltava continua faltando. O resultado é aquele relato: meses de uso, dinheiro gasto e a sensação de não ter saído do lugar.
Há ainda um detalhe que torna isso mais traiçoeiro. Nem tudo o que entra pela boca é aproveitado do mesmo jeito. Boa parte dos minerais o corpo absorve mal, sobretudo depois da fase de crescimento, quando essa capacidade naturalmente diminui. A forma química do nutriente pesa nessa conta, e vale a pena entender, por exemplo, a importância do magnésio e por que a versão certa faz diferença. Recompor uma reserva esgotada por via oral pode ser um processo lento, e quem espera um efeito imediato muitas vezes está diante disso, não de um produto ruim.
Não é só uma questão de marca ou de tempo?
Essas duas explicações existem e valem como pano de fundo. Sim, há diferença de qualidade e de absorção entre produtos, e ela não é pequena. Existem formas melhores e piores de um mesmo nutriente, e o corpo aproveita cada uma de um jeito. Comprar pelo preço mais baixo costuma ser um tiro no pé. Sim, alguns efeitos levam tempo e exigem constância para aparecer.
Mas, na minha experiência, esses fatores quase nunca são a raiz do problema. São detalhes de um plano que, na origem, talvez nem fosse o plano certo para aquela pessoa. Por isso insisto: antes de discutir marca ou paciência, é preciso saber se o alvo estava correto.
Tem ainda a armadilha da expectativa. O mercado vende suplemento como se fosse uma chave que liga um interruptor: tomou hoje, sente amanhã. Não é assim que o corpo trabalha. No melhor uso que existe dele, o suplemento complementa um terreno, e não substitui o entendimento do que acontece nesse terreno. Se a base está desarrumada, o sono é ruim, a alimentação é pobre e o corpo vive inflamado, ele tem muito pouco em que se apoiar.
Qual é, então, a pergunta certa?
A virada de raciocínio é deixar de perguntar “qual suplemento eu deveria tomar?” e passar a perguntar “o que, de fato, está faltando em mim?”. São perguntas muito diferentes. A primeira leva à prateleira da farmácia e a uma aposta. A segunda leva a uma investigação: olhar o seu caso com profundidade, identificar com método o que está realmente em desequilíbrio e, a partir disso, decidir o que faz sentido.
Nada disso é igual para todo mundo, porque absorção, necessidade e individualidade mudam de pessoa para pessoa. Não existe a listinha única que serve para todos. Quando se tenta tratar a si mesmo com a lista do momento, o resultado costuma ser exatamente esse: gasto sem retorno. É essa inversão que transforma a frustração de “tomo e não sinto nada” em algo que finalmente faz sentido, e é esse o trabalho de entender o seu caso por inteiro, antes de qualquer pote, que fazemos no Instituto Avantgarde.
Se você anda no uso de suplementos sem ver retorno, o próximo passo não é trocar de marca, e sim descobrir o que realmente falta no seu corpo.
Referências
- Bailey, R. L. et al. (2011). Dietary supplement use among U.S. adults has increased since NHANES III (1988–1994). NCHS Data Brief, (61), 1–8. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21592424
- Cowan, A. E. et al. (2018). Dietary supplement use differs by socioeconomic and health-related characteristics among U.S. adults, NHANES 2011–2014. Nutrients, 10(8), 1114. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30126136








