5 minutos de leitura

Medicações para emagrecer: elas bastam sozinhas?

Publicado por

“Doutor, e se eu só tomar o remédio?” Por trás dessa pergunta honesta há um desejo legítimo: emagrecer cansa, e a ideia de uma solução que faça o trabalho por nós é compreensível. É por isso que as medicações para emagrecer despertam tanto interesse, e também tanta confusão. Minha resposta não é um “não” seco, mas também não é o “sim” que a pessoa esperava.

É mais ou menos assim: o remédio pode dar um empurrão importante, mas ele não foi feito para caminhar sozinho. Portanto, entender o papel real dessas medicações muda tudo. Sabendo o que elas fazem e o que não fazem, você para de esperar milagre e passa a usar a ferramenta certa, no lugar certo.

Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).

Afinal, as medicações para emagrecer funcionam?

Funcionam, sim, e é importante dizer isso com clareza, porque ainda existe muito preconceito. Bem indicadas e acompanhadas por um médico, elas podem ajudar de verdade. Algumas reduzem o apetite, outras aumentam a saciedade, cada uma agindo de um jeito. Eu não sou contra remédio.

Todo remédio, quando há uma indicação inteligente, pode ajudar o corpo por um período. Para muitas pessoas, essas medicações são uma ferramenta valiosa, especialmente quando a resistência à insulina ou o peso já viraram um problema de saúde. Ou seja, no contexto certo, elas somam.

Faço só uma ressalva conceitual, porque ela ajuda a entender o resto. Muito do que se chama por aí de “hormônio do emagrecimento” não é, na verdade, um hormônio. São moléculas que imitam a ação de hormônios do nosso intestino, encaixando-se nos mesmos receptores. Por saírem um pouco da fisiologia original, é esperado que tragam efeitos colaterais, e é justamente por isso que pedem acompanhamento de perto.

Ponto-chave: medicação para emagrecer é coisa para usar com prescrição e acompanhamento, nunca por conta própria. E quem já usa um tratamento prescrito não deve suspendê-lo sozinho.

Por que o remédio sozinho não resolve?

Porque ele age sobre um terreno, e o terreno continua sendo seu. Pense assim: o medicamento pode diminuir a sua fome, mas ele não escolhe o que vai entrar no prato. Não coloca você para se mover, não conserta o sono ruim que desregula o apetite, não cuida do estresse que empurra para a geladeira à noite.

Além disso, o ganho de peso é multifatorial. Depende de como andam a insulina, a tireoide e o cortisol, e da forma como o corpo aprende a usar a gordura como energia. É um conjunto de engrenagens, não um botão só. Tudo isso, alimentação, movimento, sono e manejo do estresse, é o solo onde o remédio age. Num terreno cuidado, ele rende muito mais.

Estudo: em ensaio clínico, a combinação de medicação com mudança de estilo de vida superou o remédio isolado na perda de peso, reforçando que o hábito potencializa o tratamento. Wadden et al., N Engl J Med (2005)

Por isso, a melhor forma de entender essas medicações é como um impulso inicial, não como o motor permanente. Elas ajudam a destravar o começo, que costuma ser a parte mais difícil. Mas o que mantém o ponteiro da balança no lugar, depois, é o conjunto de hábitos construído enquanto o remédio dava o empurrão.

E quando o tratamento termina?

Esta é a pergunta que separa o resultado que dura do que evapora. Se o emagrecimento se apoiou apenas no medicamento, é comum o peso voltar quando ele é suspenso, porque nada por baixo mudou. É o velho efeito sanfona: emagrece rápido, engorda de novo, e muitas vezes a pessoa termina mais desregulada do que começou.

Se, ao contrário, o tempo de tratamento foi usado para reconstruir a relação com a comida e com o movimento e para reequilibrar o metabolismo, o corpo já aprendeu um novo jeito de funcionar. Aí o resultado tem onde se segurar. Não à toa, emagrecer com saúde é um processo gradual, que pede paciência; a pressa por resultado rápido costuma cobrar caro depois.

Vale reforçar que cada pessoa é única: histórico, idade, composição corporal e rotina mudam a conduta. A estratégia certa, portanto, nunca é uma fórmula pronta. É um plano desenhado para o seu caso, e definir isso passa por uma boa investigação, como explico em emagrecimento sem uma boa avaliação metabólica.

O caminho que dura

A lição que eu gostaria que ficasse é esta: o medicamento certo, na hora certa, é um aliado poderoso, mas é a mudança de hábitos que transforma um empurrão em resultado duradouro. Uma coisa não anula a outra. Elas se somam, e é dessa soma que nasce o resultado que fica.

Decidir se a medicação faz sentido para você, qual o seu papel e o que precisa ser construído ao redor dela é justamente o tipo de avaliação individualizada que fazemos no Instituto Avantgarde. Assim, em vez de apostar tudo na cápsula, você monta um plano em que o remédio, quando indicado, trabalha a favor de um terreno cuidado.

Se você está pensando em começar, ou já começou e quer um resultado que não escorra pelos dedos, o próximo passo é investigar o seu caso com profundidade.

Agendar minha avaliação

Referências

  1. Wadden, T. A. et al. (2005). Randomized trial of lifestyle modification and pharmacotherapy for obesity. New England Journal of Medicine, 353(20), 2111–2120. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16291981
  2. Wadden, T. A. et al. (2012). Lifestyle modification for obesity: new developments in diet, physical activity, and behavior therapy. Circulation, 125(9), 1157–1170. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22392863

Outras Publicações

Nutrição

Benefícios da Cq10

A coenzima Q10, também conhecida como CoQ10 ou ubiquinona, é uma substância naturalmente produzida pelo nosso organismo e desempenha um papel fundamental no funcionamento das

Ler mais

Outras Publicações

Não deixe suas questões de saúde para depois. Nossa equipe está disponível para tirar todas suas dúvidas.