Cansaço e deficiência de vitaminas caminham juntos com mais frequência do que se imagina. “Doutor, eu durmo, descanso no fim de semana, e mesmo assim acordo cansado.” Ouço alguma versão dessa frase quase toda semana no consultório. E quase sempre a pessoa já tentou de tudo: dormir mais cedo, cortar a cafeína, tirar férias. O cansaço continua lá.
Acordar cansado é acordar com um problema, e o corpo não faz isso por preguiça. Ele está sinalizando que algo na produção de energia não está fechando a conta. Quando o descanso não resolve, é sinal de que a origem não está no quanto você dorme. Está em algo mais discreto, ligado à maneira como o seu corpo fabrica energia dentro das células. E é aí que entram as vitaminas, de um jeito que pouca gente entende de verdade.
Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).
As vitaminas dão energia?
Não exatamente, e essa distinção muda tudo. Nenhuma vitamina é, por si só, combustível. O combustível vem dos alimentos. As vitaminas são as ferramentas que permitem ao corpo transformar esse alimento em energia aproveitável dentro das células.
Essa transformação acontece num lugar específico: dentro de quase todas as células existem estruturas minúsculas chamadas mitocôndrias, as usinas onde a energia do corpo é de fato fabricada. Nada do que você faz, do raciocínio ao movimento, acontece sem que essas usinas estejam trabalhando bem. Gosto de pensar numa linha de montagem: a matéria-prima chega, mas a esteira só funciona se cada operário tiver a ferramenta certa na mão. Faltando uma ferramenta num único ponto, toda a linha desacelera. No corpo, várias dessas ferramentas são vitaminas.
Cansaço e deficiência de vitaminas: quais faltas mais aparecem
Algumas se repetem com tanta frequência que vale conhecê-las. A vitamina B12 é uma das principais. Ela participa da formação dos glóbulos vermelhos, as células que carregam oxigênio para o corpo inteiro. Quando falta, o transporte de oxigênio fica comprometido, e o corpo reclama de cansaço, fraqueza e uma sensação de bateria fraca.
A vitamina D, que muita gente associa só aos ossos, também influencia a função muscular e a disposição. Níveis baixos costumam acompanhar relatos de falta de energia e desânimo. O complexo B como um todo está no coração do metabolismo energético, justamente nas etapas em que a mitocôndria converte o alimento em energia. E a vitamina C, além do papel na imunidade, ajuda na absorção do ferro; sem ferro suficiente, o quadro de fadiga se aprofunda.
E se eu como bem? Por que ainda faltaria vitamina?
Esta é a parte que considero mais importante, e a mais negligenciada. Comer bem é necessário, mas não é garantia de nada. O nutriente precisa ser absorvido, e há vários motivos pelos quais ele pode não chegar ao destino.
Problemas intestinais, desde uma doença celíaca até inflamações mais discretas, atrapalham a absorção mesmo numa dieta caprichada. O estresse crônico aumenta o consumo desses nutrientes pelo corpo e ainda prejudica o aproveitamento. O álcool, mesmo em quantidades que parecem inofensivas, interfere no metabolismo e no armazenamento de várias vitaminas. Ou seja, é perfeitamente possível comer certo e, ainda assim, andar deficiente. Por isso desconfio sempre que alguém me diz que a alimentação é boa e mesmo assim o cansaço não passa. O problema, com frequência, não está no prato, e sim no caminho entre o prato e a célula.
Então é só tomar um multivitamínico?
Eu entendo a tentação. Seria cômodo se a resposta coubesse num pote de farmácia, mas seria um desserviço com você. O cansaço tem muitas portas de entrada, como tireoide, sono, hormônios e intestino, e a deficiência de vitaminas é apenas uma delas.
Tomar um suplemento genérico para ver se melhora é apostar no escuro: você pode estar repondo justamente o que não falta e ignorando o que importa. Descobrir qual peça está faltando no seu caso não se faz na prateleira, e sim investigando com profundidade. Para entender melhor o alcance disso, vale conhecer a deficiência de vitaminas e minerais e seus impactos na saúde. É esse tipo de investigação que fazemos no Instituto Avantgarde.
Se é assim que você tem se sentido, cansado mesmo depois de dormir e descansar, o próximo passo é investigar a causa em vez de apostar num suplemento genérico. Uma avaliação individualizada mostra qual peça está faltando.
Referências
- Stabler, S. P. (2013). Clinical practice. Vitamin B12 deficiency. The New England Journal of Medicine, 368(2), 149–160. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23301732
- Nowak, A. et al. (2016). Effect of vitamin D3 on self-perceived fatigue: a double-blind randomized placebo-controlled trial. Medicine (Baltimore), 95(52), e5353. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28033244








