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Deficiência de vitaminas e minerais: os sinais no corpo

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Deficiência de vitaminas e minerais — nutrientes como peças da engrenagem do corpo | Instituto Avantgarde

A deficiência de vitaminas e minerais quase nunca chega ao consultório com nome próprio. Vem como “ando sem energia”, “minha imunidade caiu”, “meu cabelo está caindo”, “minha pele mudou”. São sintomas vagos, fáceis de empurrar para o estresse ou para a idade. Mas, com frequência, por trás desse conjunto difuso de sinais está exatamente a falta dos nutrientes que o corpo precisa para funcionar.

O problema é que essa carência quase nunca se anuncia. Ela se instala devagar, sem alarme. Por isso vale entender o que esses nutrientes fazem, como a falta deles aparece e, principalmente, por que comer bem nem sempre basta para repô-los.

Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).

O que vitaminas e minerais realmente fazem no corpo

Vale desfazer uma impressão comum. Muita gente trata esses nutrientes como um extra, algo que melhora a saúde de quem já está bem. Não é assim. Eles são parte da estrutura básica de funcionamento do organismo.

São essas substâncias que regulam reações químicas, sustentam o sistema imunológico, ajudam a construir tecidos, participam da produção de energia e mantêm o equilíbrio hormonal. Há uma forma simples de entender o peso disso: para cada hormônio funcionar, o corpo precisa de enzimas e coenzimas, e elas se formam justamente a partir de minerais e vitaminas. Pense neles como as peças pequenas de um relógio: nenhuma chama atenção sozinha, mas basta uma faltar para o mecanismo inteiro começar a atrasar. É por isso que a deficiência se manifesta de forma tão espalhada: ela não atinge um único sistema, atinge a engrenagem.

Que sintomas a deficiência de vitaminas e minerais provoca

Como cada nutriente cumpre um papel próprio, cada carência tem a sua assinatura. Na imunidade, a falta de vitamina C e de vitamina D costuma aparecer como infecções de repetição: resfriados que não acabam, gripes frequentes. São pessoas que vivem dizendo “pego tudo o que passa na minha frente”.

Estudo: uma revisão ampla mostra que o sistema imune depende de vários micronutrientes que agem em conjunto, entre eles vitaminas A, C, D, B6 e B12, folato, zinco, ferro, cobre e selênio, e que mesmo carências discretas já prejudicam a defesa do corpo. Gombart et al., Nutrients (2020)

Na energia, as vitaminas do complexo B, em especial a B12, junto com o ferro, são protagonistas. A carência se traduz em fadiga, dificuldade de concentração e raciocínio mais lento. A anemia por falta de ferro é um exemplo clássico de cansaço que tem causa, mas passa despercebido. Já na pele e nos cabelos, a deficiência de vitamina A, de zinco e de algumas vitaminas do complexo B pode se mostrar como ressecamento, problemas de pele e queda de cabelo. Não raro é o espelho, e não o exame, que dá o primeiro alerta. Repare como esses sinais são justamente os que a gente tende a normalizar.

Por que algumas fases da vida pedem ainda mais atenção

Há momentos em que o corpo simplesmente exige mais. Na infância e na adolescência, em pleno crescimento, a falta de cálcio, vitamina D ou iodo pode deixar marcas que se carregam para a vida adulta, da saúde óssea ao desenvolvimento. Há também uma razão menos óbvia: é principalmente nessa fase que o corpo constrói suas reservas de vários minerais, depósitos que deveriam durar muito tempo. Depois disso, a absorção natural de boa parte deles diminui de forma programada. Por isso, o que se deixou de formar lá atrás tende a fazer falta adiante, e recompor na vida adulta é bem mais trabalhoso.

Na gravidez, a demanda nutricional muda de patamar, porque agora dois organismos dependem dos mesmos nutrientes. O cuidado com o ácido fólico nesse período, por exemplo, é amplamente reconhecido pela medicina. Um mineral que ilustra bem essa lógica de reserva e necessidade é o magnésio, que participa de centenas de reações e costuma faltar sem que se perceba; falo dele em detalhe em a importância do magnésio. São fases em que o acompanhamento profissional deixa de ser opcional.

Não basta comer bem e variado?

Comer de forma equilibrada e variada é, sem dúvida, a base de tudo, e nenhum suplemento substitui um prato bem montado. Mas a base nem sempre é suficiente, e há um detalhe que costuma escapar: duas pessoas com a mesma dieta podem ter status nutricionais completamente diferentes.

A absorção varia conforme a saúde do intestino, e um intestino inflamado, que hoje é quase regra, aproveita mal o que recebe. As necessidades variam conforme idade, fase da vida, medicamentos em uso e nível de estresse. Há ainda a questão da forma e da origem do nutriente: nem toda fonte é igual. A vitamina C dos vegetais, por exemplo, é mal absorvida, enquanto formas de origem animal o corpo aproveita muito melhor. Quem aposta na fonte errada acha que está repondo e não está.

Ponto-chave: sair tomando multivitamínico “por garantia” é tão impreciso quanto arriscado, porque o excesso de certos nutrientes também faz mal. O caminho sensato é identificar, com exame e avaliação, o que de fato está faltando no seu caso.
Estudo: um levantamento com dados nacionais dos Estados Unidos estimou que cerca de 31% da população tinha risco de pelo menos uma deficiência de vitaminas ou anemia, o que mostra como essas carências são mais comuns do que parecem, mesmo em quem come todos os dias. Bird et al., Nutrients (2017)

O autodiagnóstico costuma ser pior do que parece, porque saber um pouco, sem o quadro inteiro, leva a corrigir o que não estava errado e a ignorar o que importava. A lição que eu gostaria que ficasse é esta: a falta de um nutriente raramente grita; ela sussurra em forma de sintomas que a gente aprende a ignorar. Levar esses sussurros a sério, e investigá-los, é o que separa um cuidado de verdade de um chute na prateleira da farmácia.

Se você acumula sinais difusos que ninguém explicou direito, o próximo passo não é comprar mais um pote. É descobrir, com avaliação, o que o seu corpo realmente precisa.

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Referências

  1. Gombart, A. F., Pierre, A., & Maggini, S. (2020). A review of micronutrients and the immune system—working in harmony to reduce the risk of infection. Nutrients, 12(1), 236. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31963293
  2. Bird, J. K., Murphy, R. A., Ciappio, E. D., & McBurney, M. I. (2017). Risk of deficiency in multiple concurrent micronutrients in children and adults in the United States. Nutrients, 9(7), 655. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28672791

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