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Saúde integrativa: o que é e quais são seus pilares

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Saúde integrativa — os pilares alimentação, energia e regeneração encadeados | Instituto Avantgarde

Saúde integrativa é um termo que virou moda e, no caminho, perdeu parte do sentido. Por isso vale explicar o que ela é de verdade. Atendo, com frequência, pessoas que chegam com uma lista de pequenos problemas que parecem não ter nada a ver entre si. Dorme mal. Come por ansiedade. Vive cansado. Engordou sem mudar muito. Cada queixa, vista de perto, parece pedir uma solução própria.

Mas quando dou um passo atrás e olho o conjunto, quase sempre vejo a mesma coisa: não são quatro problemas separados, é um corpo inteiro pedindo atenção. É esse passo atrás que define a abordagem. Ela não despreza o tratamento convencional; parte dele e vai além dele, buscando a causa onde o cuidado com o sintoma, sozinho, não chega.

Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).

O que é, afinal, saúde integrativa?

Saúde integrativa é uma forma de cuidar que olha para a pessoa inteira, e não apenas para o sintoma que a trouxe ao consultório. Em vez de perguntar só “o que dói e como faço parar?”, ela pergunta “por que isto está acontecendo neste corpo, nesta vida?”. Considera o físico, mas também o emocional, o estilo de vida, o histórico e o contexto de cada um.

Na prática, eu organizo esse cuidado em três frentes que se encadeiam, sempre nessa ordem. A primeira é o que entra: a alimentação e a digestão, porque é daí que o corpo retira tudo de que precisa. A segunda é a energia, ou seja, a capacidade das suas células de produzir o combustível que move o organismo inteiro. E a terceira é a regeneração, a capacidade do corpo de se construir e se reparar, que inclui o equilíbrio dos hormônios. No meio dessas três, a energia ocupa o centro. É o coração da saúde, e sem ela nada do que vem depois acontece direito.

Por que os pilares da saúde integrativa não funcionam separados

Porque eles não são compartimentos independentes; uma frente sustenta a outra, e pular etapa não funciona. O erro mais comum que vejo é querer começar pelo fim. A pessoa chega exausta, se arrastando, e a primeira coisa que recebe é um hormônio para “dar um gás”. Mas hormônio que constrói e regenera é, por natureza, um gastador de energia. Se o corpo não tem energia para gastar, esse estímulo é como dar chicotada em cavalo cansado: no começo ele anda mais rápido e, na esquina seguinte, cai.

Ponto-chave: quem não digere bem não absorve o que come; sem absorver, falta matéria-prima para as células produzirem energia; sem energia, os hormônios que deveriam regenerar o corpo não têm como trabalhar. É uma corrente: quando o primeiro elo falha, todos os seguintes falham junto.

É por isso que, nessa abordagem, raramente faz sentido olhar para um hábito sozinho, e muito menos saltar para a última etapa. O que adoece é o conjunto, na ordem em que ele se organiza, e é assim que ele precisa ser compreendido. Um exemplo esclarecedor: qualquer estímulo hormonal aplicado a um corpo sem energia só cobra um preço lá na frente.

Onde a energia mitocondrial entra nessa conta

Quando falo em energia, falo de algo bem concreto: a produção de combustível dentro das células, tarefa das mitocôndrias. Esse ponto costuma passar despercebido porque não aparece nos exames de rotina, mas explica muita queixa difusa. Não à toa, existe uma linha de raciocínio que liga sintomas como o desânimo persistente a falhas nessa produção de energia, tema que aprofundo em depressão ou distúrbio mitocondrial?, porque nem todo cansaço é da cabeça.

Dois fatores do dia a dia derrubam essa base de forma silenciosa: o sono ruim e o estresse crônico. Eles não são detalhes de estilo de vida; mexem diretamente na fisiologia. Dormir pouco altera hormônios ligados à fome e à saciedade, e o estresse prolongado desregula todo o sistema que governa a resposta do corpo às ameaças. Por isso, cuidar de sono e estresse não é conselho genérico: é intervir na energia antes de intervir nos hormônios.

Estudo: em homens jovens saudáveis, reduzir o sono por poucas noites já baixou a leptina e elevou a grelina, com aumento de fome e apetite, o que ajuda a explicar por que noites mal dormidas desregulam o metabolismo. Spiegel et al., Annals of Internal Medicine (2004)

Como isso muda a forma de cuidar da sua saúde?

Muda o ponto de partida. Em vez de começar pela doença já instalada, a saúde integrativa começa pela prevenção e pela sua individualidade: entende como você come e digere, como o seu corpo produz energia e como ele se regenera, antes de decidir qualquer conduta. E respeita a ordem das coisas, sem querer pular para a etapa final só porque ela parece mais atraente.

Estudo: o estresse crônico age como um desregulador do sistema que mantém o equilíbrio interno do corpo, afetando de imediato metabolismo, humor e disposição, o que reforça por que ele precisa ser tratado como fator de saúde, e não como detalhe. Chrousos, Nature Reviews Endocrinology (2009)

O princípio que eu gostaria que ficasse é este: a saúde se constrói entendendo como as peças conversam entre si, e na ordem certa, não consertando uma de cada vez. Quando alguém me diz que “já tentou de tudo” e nada funcionou, com frequência a explicação é simples: tentou tudo separadamente, ou começou pelo fim, e o corpo só responde quando se respeita o conjunto e a sequência.

Se você reconhece a sua lista de pequenos problemas nesse texto, talvez seja hora de olhar o todo em vez de caçar uma solução para cada queixa. Uma avaliação individualizada mostra em qual frente o seu corpo travou primeiro.

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Referências

  1. Spiegel, K. et al. (2004). Brief communication: sleep curtailment in healthy young men is associated with decreased leptin levels, elevated ghrelin levels, and increased hunger and appetite. Annals of Internal Medicine, 141(11), 846–850. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15583226
  2. Chrousos, G. P. (2009). Stress and disorders of the stress system. Nature Reviews Endocrinology, 5(7), 374–381. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19488073

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