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Candidíase de repetição tem cura? O que olhar além da crise

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Candidíase de repetição tem cura — ilustração do equilíbrio da microbiota e da imunidade | Instituto Avantgarde

Candidíase de repetição tem cura? É a pergunta que ouço de mulheres que já trataram a infecção três, quatro, cinco vezes, sempre com o mesmo creme ou o mesmo comprimido, e ela sempre volta. Algumas já desconfiam de si mesmas: será higiene, será o parceiro, será alguma coisa errada com elas? Quase nunca é nada disso.

A resposta honesta é que a crise isolada tem tratamento eficaz, mas a recorrência só cede quando se muda o terreno que a alimenta. Ou seja, a candidíase de repetição costuma ser um recado do corpo sobre um equilíbrio que se perdeu, e o tratamento do episódio, sozinho, não restaura esse equilíbrio. Entender essa diferença é o que separa apagar o sintoma de resolver o problema.

Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).

Por que a candidíase volta sempre

Para entender a recorrência, é preciso saber que o Candida albicans, o fungo por trás da maioria desses quadros, não é um invasor que vem de fora. Ele já habita o corpo da maioria das mulheres, vivendo naturalmente nas nossas floras. É um fungo oportunista: convive em paz enquanto o ambiente não deixa, mas cresce assim que encontra oportunidade. Pense na microbiota como o solo onde tudo acontece, uma comunidade densa de microrganismos que ocupa espaço e mantém a acidez do ambiente.

E aqui entra um ponto que pouca gente associa à candidíase: a acidez. As nossas mucosas, das quais a região vaginal faz parte, dependem de um pH levemente ácido para se proteger. Essa acidez leve é justamente o que segura fungos e bactérias indesejados. Quando esse pH se neutraliza, o ambiente deixa de oferecer resistência, e é nesse terreno que a Candida encontra espaço para se multiplicar.

Estudo: a literatura descreve a candidíase vulvovaginal como resultado do desequilíbrio entre o fungo e as defesas do hospedeiro, e não de um simples contágio externo. Sobel, The Lancet (2007)

O problema, então, não é a presença do fungo. É a quebra do equilíbrio. Quando a microbiota se desorganiza, a acidez se perde e a imunidade local enfraquece, o Candida encontra terreno livre, e aí aparecem a coceira, o ardor e a irritação. Tratar a crise com um antifúngico derruba a população do fungo naquele momento, e a pessoa melhora. Mas, se o terreno que permitiu a proliferação continua o mesmo, é apenas questão de tempo até ele crescer de novo.

Não é doença sexualmente transmissível, então por que piora com a relação

Vale separar duas coisas que costumam se confundir. A candidíase não é uma infecção sexualmente transmissível: ela nasce de um desequilíbrio do próprio corpo, não de um contágio. Ao mesmo tempo, é verdade que crises podem ser desencadeadas em torno da relação sexual, porque o atrito, a alteração do pH e a umidade locais mexem naquele equilíbrio frágil da microbiota. Ou seja, a relação não traz o fungo de fora, mas pode ser o empurrão que rompe uma estabilidade já comprometida.

O calor e a umidade entram na mesma lógica. Passar horas com o biquíni molhado, manter a região abafada, usar tecidos que não respiram: tudo isso cria o ambiente quente e úmido em que o fungo prospera. São fatores reais, e cuidar deles ajuda. No entanto, são todos a superfície de uma história mais profunda. O que decide se a crise vai se instalar é a saúde do terreno por baixo.

Candidíase de repetição tem cura quando se olha o terreno

Essa é a mudança de raciocínio que considero a mais importante. Quando uma candidíase aparece uma vez e some, ela é um episódio. Quando volta sistematicamente, ela é um sintoma, e o sintoma aponta para outra coisa. A microbiota anda desequilibrada por quê? A imunidade está sendo derrubada por qual fator de fundo: sono ruim, estresse crônico, alimentação que alimenta a inflamação, alguma deficiência que ninguém investigou?

Esse último ponto merece atenção, porque costuma ser a raiz silenciosa. Uma alimentação inflamatória desorganiza a flora intestinal e enfraquece a barreira do intestino, e é o intestino, em boa parte, que regula a nossa imunidade e a capacidade de manter os fungos sob controle. A imunidade, por sua vez, depende de nutrientes específicos, e a importância da vitamina D nesse funcionamento é um bom exemplo de peça que costuma passar despercebida. Por isso eu olho para o prato, para a digestão e para o intestino mesmo quando a queixa parece restrita a uma região só.

Ponto-chave: quando algo se repete, o corpo não está pedindo o mesmo tratamento de novo. Está pedindo uma pergunta diferente. Tratar a crise resolve o dia; entender o terreno muda o quadro.

Essas perguntas não se respondem com mais uma rodada de antifúngico. Respondem-se olhando a mulher inteira, e não só a infecção da semana. É esse olhar individualizado, sobre imunidade, microbiota, acidez e o que está por trás do desequilíbrio, que costuma transformar um problema que sempre volta em algo que finalmente para de voltar. E é esse o trabalho que fazemos no Instituto Avantgarde.

Se a candidíase voltou mais vezes do que você gostaria de contar, o próximo passo não é repetir o mesmo remédio. É investigar o terreno por trás da recorrência, com uma avaliação que olha o conjunto.

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Referências

  1. Sobel, J. D. (2007). Vulvovaginal candidosis. The Lancet, 369(9577), 1961–1971. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17560449
  2. Gonçalves, B. et al. (2016). Vulvovaginal candidiasis: epidemiology, microbiology and risk factors. Critical Reviews in Microbiology, 42(6), 905–927. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26690853

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