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A importância do magnésio (e por que muita gente erra)

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A importância do magnésio — mineral envolvido em centenas de reações do corpo, do músculo ao sono | Instituto Avantgarde

A importância do magnésio costuma aparecer para mim numa cena que se repete no consultório: a pessoa abre a bolsa, tira um pote comprado por conta própria e diz que “não sentiu diferença nenhuma”. Quando olho o rótulo, quase sempre entendo o porquê. O problema raramente é o magnésio em si. É a forma como ele foi tomado e a via pela qual o corpo deveria aproveitá-lo.

O magnésio é um dos minerais mais trabalhadores do nosso corpo. Ele está envolvido em centenas de reações químicas, da contração de cada músculo à regulação da pressão e ao funcionamento dos neurotransmissores, que influenciam humor, sono e a sensação de calma. Há ainda uma reação emblemática: a produção de energia depende de uma enzima que reúne fósforo, creatina e magnésio. Se o mineral falta, a fabricação de energia perde eficiência, e o cansaço que aparece é confundido com desânimo.

Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).

A importância do magnésio e por que tanta gente tem pouco

Há um ponto que considero fundamental aqui. O consumo de magnésio pelo corpo é intenso, porque ele é exigido o tempo todo por todas essas reações. Ao mesmo tempo, a oferta diminuiu. O solo onde nossos alimentos crescem foi se empobrecendo nesse mineral ao longo de décadas de agricultura intensiva. Ou seja, o vegetal que você come hoje não carrega a mesma quantidade de magnésio que carregava no prato dos seus avós.

Some a isso um detalhe pouco conhecido da nossa fisiologia. A capacidade de absorver minerais é alta na infância e na adolescência, justamente quando o corpo monta as reservas para a vida adulta. Depois disso, essa absorção cai de forma programada. Por isso o magnésio se tornou uma das deficiências mais difundidas que vejo, quase uma epidemia silenciosa. Gastamos muito, recebemos pouco e ainda absorvemos com dificuldade.

Estudo: uma revisão ampla descreve o magnésio como cofator de mais de 300 reações enzimáticas e liga sua deficiência crônica a problemas cardiovasculares, metabólicos e neurológicos. de Baaij et al., Physiological Reviews (2015)

Por que a forma do magnésio muda tudo

Magnésio puro não existe num comprimido. Ele sempre vem ligado a outra molécula, e esse “casamento” químico é o que chamamos de quelação. Essa ligação não é um detalhe irrelevante: ela define quanto do mineral o corpo absorve e até para onde ele tende a ir dentro do organismo.

Pense na quelação como o veículo que transporta o magnésio. Algumas formas, como o glicinato, o bisglicinato, o treonato e o taurato, entregam melhor a carga e têm preferência por certos destinos. O treonato e o taurato, por exemplo, têm afinidade pelo cérebro, o que costuma fazer diferença em sono e tensão nervosa. Outras formas, sobretudo as mais baratas, mal saem do lugar: são pouco absorvidas e atravessam o corpo quase sem serem aproveitadas. Por isso dois potes que estampam a palavra “magnésio” produzem resultados completamente diferentes.

Por que tantas pessoas tomam e não sentem nada

Aqui entra uma distinção que muda toda a conversa. Existe o magnésio que circula no sangue e existe o magnésio de reserva, aquele depositado em ossos, músculos e órgãos. São coisas diferentes. O nível no sangue precisa estar adequado o tempo todo, porque o corpo não deixa ele despencar. A reserva é o que garante matéria-prima de sobra quando o organismo precisa.

E é aqui que a via importa. Tomar magnésio em cápsula de boa qualidade ajuda a sustentar funções do dia a dia, como sono e disposição. Para isso, a forma oral tem o seu valor. Mas, para refazer o estoque profundo de reserva, a absorção pela boca é limitada. Por isso, em algumas situações, a forma de administrar o nutriente também entra na conversa, sempre como decisão clínica, nunca como receita pronta.

Ponto-chave: suplementar não é só escolher um nutriente, é escolher como esse nutriente chega às suas células. Essa decisão merece avaliação, não palpite de balcão de farmácia.

Qual é, então, o magnésio certo? Essa é a pergunta que eu não consigo responder num post, e desconfio de quem responde. A forma mais adequada depende de para que você precisa do mineral, de como está o seu intestino, dos seus exames e do que mais acontece no seu corpo. O magnésio, aliás, quase nunca vem sozinho: costuma andar acompanhado de outras carências, tema que aprofundo em como a deficiência de vitaminas e minerais afeta a saúde e a qualidade de vida.

Se você suplementa magnésio e nunca soube se está fazendo da forma certa, o próximo passo não é comprar outro pote. É investigar o seu caso e definir a forma e a via que fazem sentido para o seu corpo.

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Referências

  1. de Baaij, J. H., Hoenderop, J. G., & Bindels, R. J. (2015). Magnesium in man: implications for health and disease. Physiological Reviews, 95(1), 1–46. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25540137
  2. Schwalfenberg, G. K., & Genuis, S. J. (2017). The importance of magnesium in clinical healthcare. Scientifica, 2017, 4179326. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29093983
  3. Workinger, J. L., Doyle, R. P., & Bortz, J. (2018). Challenges in the diagnosis of magnesium status. Nutrients, 10(9), 1202. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30200431

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