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A Bioimpedância na Avaliação da Composição Corporal: Possíveis Limitações e Fontes de Erro

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A bioimpedância é uma técnica amplamente utilizada para avaliar a composição corporal, fornecendo informações sobre a quantidade de massa magra, massa gorda e água presente no organismo. No entanto, é importante reconhecer que, apesar de sua popularidade, a bioimpedância não é isenta de limitações e pode apresentar algumas fontes de erro. Neste artigo, discutiremos as possíveis limitações e fontes de erro da bioimpedância, a fim de entender melhor os resultados obtidos por meio dessa técnica de avaliação.

 

Princípios básicos da bioimpedância: A bioimpedância se baseia na passagem de uma corrente elétrica de baixa intensidade pelo corpo, que é influenciada pela composição dos tecidos corporais. Os tecidos com maior conteúdo de água e eletrólitos, como a massa magra, permitem uma fácil passagem da corrente elétrica, enquanto os tecidos com maior conteúdo de gordura apresentam maior resistência elétrica.

 

Limitações da bioimpedância:


Variação individual: Cada indivíduo possui características corporais únicas que podem afetar os resultados da bioimpedância. Fatores como idade, sexo, hidratação, nível de atividade física e variações na distribuição de gordura corporal podem influenciar a precisão da técnica.


Hidratação: O estado de hidratação do indivíduo pode influenciar significativamente os resultados da bioimpedância. A desidratação pode levar a uma superestimação da massa gorda e uma subestimação da massa magra, enquanto a super-hidratação pode levar ao efeito oposto.


Variações na condutividade dos tecidos: A bioimpedância assume que a condutividade dos tecidos é constante, o que nem sempre é verdade. Algumas condições, como a presença de edemas, alterações na composição corporal devido a doenças crônicas ou mudanças nos níveis de eletrólitos, podem afetar a condutividade dos tecidos e levar a resultados imprecisos.


Distribuição da gordura corporal: A bioimpedância não é capaz de diferenciar a distribuição da gordura corporal. Isso significa que a técnica não pode fornecer informações sobre a quantidade de gordura visceral (gordura interna ao redor dos órgãos) versus gordura subcutânea (gordura presente logo abaixo da pele), o que pode ser relevante para avaliar o risco de doenças metabólicas.


Limitações para populações específicas: Alguns grupos populacionais, como atletas de elite, idosos com perda muscular significativa e pessoas com obesidade extrema, podem apresentar resultados imprecisos pela bioimpedância. A presença de grandes quantidades de massa muscular ou gordura, bem como mudanças na hidratação e composição corporal, pode dificultar a interpretação dos resultados.

Fontes de erro na medição:


Equipamentos de baixa qualidade: A precisão dos resultados da bioimpedância pode ser afetada pela qualidade do equipamento utilizado. Dispositivos de baixa qualidade ou mal calibrados podem gerar leituras imprecisas e inconsistentes.


Erros de aplicação: A correta aplicação dos eletrodos e o posicionamento adequado do paciente são fundamentais para obter resultados confiáveis. Erros na colocação dos eletrodos ou na adesão às instruções podem levar a leituras errôneas.


Condições do teste: Algumas condições durante a realização do teste, como a ingestão recente de alimentos ou líquidos, o uso de medicamentos diuréticos ou a prática de exercícios intensos, podem afetar os resultados da bioimpedância.


Variações diárias: Os resultados da bioimpedância podem variar ao longo do dia devido a flutuações na hidratação e no conteúdo de eletrólitos do organismo. Portanto, é importante realizar as medições em condições padronizadas, como pela manhã em jejum.

Embora a bioimpedância seja uma técnica amplamente utilizada e acessível para avaliar a composição corporal, é importante reconhecer suas limitações e fontes potenciais de erro. A variação individual, a hidratação, as variações na condutividade dos tecidos, a distribuição da gordura corporal e as condições do teste são fatores que podem influenciar os resultados obtidos.

Para maximizar a precisão da bioimpedância, é fundamental utilizar equipamentos de qualidade, seguir corretamente as orientações de aplicação e realizar as medições em condições padronizadas. Além disso, é importante interpretar os resultados da bioimpedância em conjunto com outras avaliações clínicas e considerar a individualidade de cada pessoa.

 

Referências:


Deurenberg, P., et al. (1996). Assessment of body composition by bioelectrical impedance in children and young adults is strongly age-dependent. European Journal of Clinical Nutrition, 50(10), 619-626.


Piccoli, A., et al. (2002). Body composition measurement in severe depletion: bioelectrical impedance vs dual-energy X-ray absorptiometry. Clinical Nutrition, 21(6), 515-523.


Lukaski, H. C. (2013). Evolution of bioimpedance: A circuitous journey from estimation of physiological function to assessment of body composition and a return to clinical research. European Journal of Clinical Nutrition, 67(Suppl 1), S2-S9.

 


Dehghan, M., et al. (2008). Bioelectrical impedance analysis to estimate body composition in children and adolescents: A systematic review and evidence appraisal of validity, responsiveness, reliability and measurement error. European Journal of Clinical Nutrition, 62(4), 431-445.


Heyward, V. H., & Wagner, D. R. (2004). Applied body composition assessment (2ª ed.). Human Kinetics.


Kyle, U. G., et al. (2004). Bioelectrical impedance analysis–part II: Utilization in clinical practice. Clinical Nutrition, 23(6), 1430-1453.

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