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Maximizando a hipertrofia muscular: o papel da avaliação metabólica

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Hipertrofia muscular e avaliação metabólica — o papel dos hormônios e da energia no ganho de massa | Instituto Avantgarde

Maximizar a hipertrofia muscular é o objetivo de quase todo mundo que leva o treino a sério, e mesmo assim é comum ver o esforço não virar músculo. Recebo no consultório, com frequência, um tipo de paciente que me desperta respeito: alguém que treina há um ano, come de forma disciplinada, dorme o que pode e, ainda assim, olha no espelho e não vê o resultado que tanto empenho deveria ter construído. A frase costuma vir com uma ponta de frustração: “Doutor, eu faço tudo certo, por que não cresço?”

A resposta, quase sempre, não está no treino nem na dieta. Está em algo que a academia não consegue medir. Por isso quero mostrar por que a hipertrofia muscular depende tanto do ambiente metabólico e hormonal, e como uma avaliação bem feita ajuda a enxergar o que trava o ganho de massa antes de você mudar o treino pela décima vez.

Dr. Alexandre Duarte é médico do Instituto Avantgarde, com atuação em Metabologia (CRM-SP 162757).

Construir músculo é uma obra, e toda obra depende de logística

Vale a pena entender o que de fato acontece quando um músculo cresce. A hipertrofia não é o treino em si; o treino é apenas o estímulo, o pedido de obra. O crescimento acontece nas horas seguintes, quando o corpo repara as fibras e as deixa um pouco mais fortes e maiores do que eram.

Esse reparo é uma construção, e, como toda construção, depende de três coisas: material, comando e energia. O material são os aminoácidos da proteína que você come. O comando vem dos hormônios. E a energia vem da mitocôndria, a usina que fabrica o combustível de cada célula. Quando a fabricação de proteína muscular supera a degradação, o saldo é positivo e o músculo cresce. Quando esse saldo fica neutro ou negativo, você pode treinar todos os dias e a obra simplesmente não anda.

Estudo: uma revisão clássica sobre os mecanismos da hipertrofia descreve o crescimento muscular como resultado de um balanço entre síntese e degradação de proteína, modulado por tensão mecânica, dano e sinais metabólicos. Schoenfeld, J Strength Cond Res (2010)

Faço questão de destacar a energia, porque é a peça que mais passa despercebida. Construir músculo consome muito combustível, e esse combustível não é “caloria” no sentido da tabela; é o ATP que a mitocôndria precisa produzir. Se essa usina não está bem, o treino vira um problema em vez de uma solução: em vez de construir, o corpo passa a consumir o próprio músculo para arrumar a energia que não consegue gerar. É por isso que insisto tanto na recuperação e no sono. Boa parte dos hormônios de reparo é produzida durante a noite bem dormida, e quem dorme mal não constrói direito por mais que se esforce.

Por que dois corpos respondem de formas tão diferentes ao mesmo treino

Aqui mora a parte que mais interessa. Dois homens da mesma idade, no mesmo treino e na mesma dieta, podem ter resultados completamente diferentes, e isso raramente é “genética”, como se costuma dizer para encerrar o assunto.

Boa parte dessa diferença está nos hormônios que regulam a construção muscular. A testosterona é o principal sinal anabólico do organismo, aquele que diz à célula “construa”. O hormônio do crescimento e a sensibilidade à insulina entram na mesma conversa. Do outro lado da balança está o cortisol, o hormônio do estresse crônico, que tem efeito oposto: favorece a quebra de tecido. Um corpo que vive com testosterona em queda e cortisol em alta está, do ponto de vista metabólico, remando contra o próprio treino.

Estudo: a testosterona é descrita como um dos hormônios anabólicos mais potentes na resposta ao treino de força, com toda uma cadeia regulatória a montante que precisa estar em ordem para que o efeito apareça no músculo. Vingren et al., Sports Medicine (2010)

É importante entender que esses hormônios não funcionam como peças soltas, e sim como uma orquestra: cada um depende do outro para tocar a mesma música. A própria testosterona é o fim de uma longa cadeia de produção, e basta uma etapa dessa linha estar em falta para ela cair, mesmo sem defeito na origem. Por isso, olhar só para o número da testosterona no exame engana. Esse valor mostra a sobra, o que restou depois que o corpo usou o que precisava, e não o quanto ele realmente produz e aproveita. Eu não trato exame; trato a pessoa.

Ponto-chave: músculo não se constrói só na academia, se constrói no metabolismo. O treino é o pedido; quem decide se a obra acontece é o ambiente hormonal e energético do seu corpo.

O detalhe cruel é que nada disso aparece no espelho. A pessoa percebe apenas o resultado final, o esforço que não vira músculo, sem enxergar o desequilíbrio que está por trás. E o material também conta: uma boa oferta de proteína é condição básica para a obra andar, um ponto que aprofundo em suplementação para hipertrofia: será que o whey basta?.

Então o problema é falta de esforço na hipertrofia muscular?

Quase nunca. E é por isso que insisto neste ponto: atribuir a estagnação à preguiça ou à falta de disciplina costuma ser injusto e, sobretudo, impreciso. Antes de mudar mais uma vez o treino ou cortar mais um carboidrato, faz sentido olhar para o terreno onde toda essa obra acontece.

A avaliação metabólica é justamente esse olhar. Ela investiga a composição corporal de verdade, ou seja, quanto há de músculo, de gordura e de água; o perfil hormonal; e a forma como o seu corpo lida com a energia dos alimentos. É a diferença entre treinar no escuro e treinar sabendo o que, dentro de você, está ajudando ou atrapalhando. Quando o esforço não está virando resultado, o problema raramente é fazer mais. É entender melhor. Esse olhar integrado é o que praticamos no Instituto Avantgarde.

Se é assim que você tem se sentido em relação aos treinos, o próximo passo é simples: investigar o que, no seu metabolismo, está travando o ganho de massa, em vez de insistir no escuro. Uma avaliação individualizada mostra exatamente onde ajustar.

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Referências

  1. Schoenfeld, B. J. (2010). The mechanisms of muscle hypertrophy and their application to resistance training. Journal of Strength and Conditioning Research, 24(10), 2857–2872. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20847704
  2. Vingren, J. L. et al. (2010). Testosterone physiology in resistance exercise and training: the up-stream regulatory elements. Sports Medicine, 40(12), 1037–1053. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21058750

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